Júnior Flôr

Seja Bem Vindo(a)!

O ato de escolha é, antes de tudo, um ato particular.

Ao longo da História, em seus múltiplos tempos e espaços diversos o homem buscou eleger suas particulares vontades como universais.

As nossas impressões e lembranças são frutos de momentos vividos que um dia não passou de um sonho com delicado caminhar à realização.

Este ato de eleger, caro leitor, vem sendo aplicado à cultura. O homem vem buscando impor suas escolhas, vontades, a um universo de pessoas que nem sempre tiveram a mesma impressão sobre o ato escolhido. A cultura é particular ao olhar de cada Ser. Não é um produto que se possa impor como vontade. O universo cultural é muito amplo para que vontades particulares sejam valores universais.

Vejamos caro leitor, dois singelos exemplos, o universo dos livros eleitos e dos filmes premiados.

Em nossa infância tivemos o privilégio de apreender o hábito da leitura. Ao longo do tempo cultivamos este hábito. Dois momentos distintos.

Passeamos pelas revistas em quadrinhos. Universo mágico impossível de enumerar títulos e histórias. De escolher a melhor revista contendo a melhor história.

Veio, então, o conhecer da estrada de terra batida que nos levaria ao mundo de Monteiro Lobato, através do Sítio do Pica-Pau Amarelo sob olhar de D. Benta para que não fizéssemos reinações, como as de Narizinho. Até hoje boas impressões, ótimas lembranças de brincar no sítio.

Em outro momento nos deparamos com um espaço diverso descrito por José de Alencar. Leitura, ao nosso olhar, essencial.

Caminhamos e nos encontramos com Machado de Assis a olhar o mundo fluminense, descrevendo a crise do Império e em outros espaços retratando a sociedade. Em outros textos a discutir a alma humana. Quem não se lembra de Capitu e a eterna pergunta deixada pelo autor?

Outros tempos vieram, outros espaços nasciam.

Encontrávamos-nos com Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, Umberto Eco, Albert Camus, Jorge Luis Borges, José Lins do Rêgo, Chico Buarque, Mario Puzo, Antonio Callado, Drummond, Cecília Meireles,  Clarice, Eça de Queirós, Rubem Fonseca, Pablo Neruda, Mario Quintana, José Américo de Almeida, Mario Vargas Llosa, João Cabral de Melo Neto, José Saramago, Rachel de Queiroz, João Ubaldo Ribeiro, José Mauro de Vasconcelos. Com textos de Camões, Shakespeare, Cervantes e Dante Aliguieri. UFA! Lista interminável.

Quantos pecados cometidos?

Quantas omissões?

Perdoe-me o leitor, pois nem o pecado nem a omissão foram propositais.

E você, caro leitor, qual seu texto predileto?

Qual autor deva ser posto como eleito?

Novamente peço desculpas se aqui o seu autor predileto não foi citado. Este é o problema da eleição.

Vejamos o que ocorre com o Cinema e suas produções.  E aqui iremos além das impressões e lembranças para delimitar um território.

O último filme a receber o prêmio máximo da Academia, o Oscar, foi O Discurso do Rei.

O Cisne Negro apesar da beleza do balé que a todos encanta é um bom filme. Apenas um bom filme.

A Rede Social um filme bem produzido nos padrões de venda. Não mais que isto.

Em Bravura Indômita temos uma bela trama. Ótimo roteiro, boa adaptação, excelentes atuações. Mas quem se importa com filmes a retratar o chamado Velho Oeste? Excelente filme

No filme A Origem, nosso preferido entre os citados, passeamos pelo universo da construção humana em seu mundo de sonhos. Ótimo filme.

Sim, e daí? O filme premiado foi O Discurso do Rei. Nem por isso passa a ser o que leva nossas melhores impressões e lembranças. Retornamos ao problema da eleição no mundo cultural.

No universo cultural não podemos fazer do que achamos como sendo o melhor venha a ser vontade universal. Não, de forma alguma.

Este espaço é seu, caro leitor.

- Qual o livro/autor que receberia seu voto como o escolhido?

- E no cinema? Qual o filme mais marcante em seu olhar?

Fácil, não?

No momento estou a me deleitar com a obra de Saramago. E o amigo leitor?

 

 

Um Comentário até agora.

  1. Ah, meu amigo… Infelizmente a maioria dos brasileiros não encara política desta forma… É mais fácil ouvir alguém falar “odeio política” do que “estou analisando as propostas dos candidatos”. E então, vemos aquela chuva de corrupção que nos atinge. E pior: quase tudo fica impune. Não me canso de dizer: o povo tem a política que merece, afinal, ele que a escolheu.


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